Em 07/09/1925, um grupo de desportistas reuniu-se na residência de Antonio Fernandes Bioca, o introdutor do futebol na cidade serrana em 1913, onde foi lançada a idéia da criação de mais um time na cidade de Campina grande. Mas foi somente em outubro daquele ano, depois da terceira reunião, ficou acertado o nome daquele novo time. Nas reuniões anteriores havia divergências e nenhum nome sugerido recebia aceitação dos presentes. Ocorre que nessa terceira reunião somente compareceram treze componentes, e o desportista José Casado, sugeriu o nome TREZE, em virtude de somente encontrarem-se treze pessoas presentes. E o nome foi aceito por unanimidade. No livro de ata assinaram os fundadores Antonio Fernandes Bioca, aclamado como presidente interino; secretário Alberto Santos; orador Dr. Luiz Gomes da Silva e os demais fundadores: José Eloi. Zacarias Ribeiro, Osmundo Lira, Olívio Barreto, José Casado, José Rodolfo, José Sodré, Amélio Leite- (ex deputado estadual) Jose de Castro e Placido Veras. O primeiro presidente efetivo, Antonio Miguel Moraes.
O Treze treinou pela primeira vez no Campo dos Currais, local onde atualmente está situado o Mercado Público de Campina Grande. O primeiro jogo oficial foi realizado no dia 06/11/1925, no Campo dos Currais, contra o Palmeiras Sport Clube, de João Pessoa, um grande time na época. O resultado da partida foi 1 x 0 para o time de Campina. O Treze era formado por: Olívio; Zé Eloi e Lima; Eurico, Zacarias do Ó e Zé de Castro; Rodolfo, Casado, Reis, Cotó e Guiné. Nesta mesma partida saiu o primeiro gol do Treze, marcado por Plácido Veras, o "Guiné", que também foi um dos seus fundadores. Guiné recebeu este apelido pelo fato de ser um jogador bastante veloz.
A primeira partida interestadual aconteceu no dia 11/06/1928, contra o Paissandu (RN), em Natal.O Treze venceu o jogo por 3 a 1 e conquistou a Taça Paissandu. O clube potiguar pediu revanche e novamente perdeu para o Treze, desta vez pelo placar de 2 a 1.
Em 1938 o Treze foi o campeão campinense e denominado pela primeira vez de “O Galo da Borborema”, tendo em vista que o nº 13 é galo no jogo do bicho. Na época foi criado um “bordão” bem conhecido: “Respeite o galo mundiça”
A primeira partida em Campeonatos Paraibanos aconteceu em 1939, quando perdeu para o Auto Esporte pelo placar de 3 a 2. Em seu segundo jogo na competição, a equipe trezeana ganhou da equipe tricampeã paraibana na época, o Botafogo, por de 8x1. Em 1940 sagrou-se, pela primeira vez , Campeão Paraibano.
Governava a Paraíba Ambrósio Leitão da Cunha, natural do Pará e formado em ciências jurídicas. Foi ele quem recebeu o ofício do ministro dos Negócios do Império comunicando que sua majestade visitaria a Paraíba ao mesmo tempo que enviava a importância de um conto de réis para as despesas de hospedagem das figuras reais. Isso desencadeou uma verdadeira febre em todo o Estado que, pobre como era, tinha de receber, à altura, tão augustas figuras que dificilmente passariam outra vez por esses rincões.
Com mais três contos de réis vindos da Corte, o governo começou a tarefa de preparar a cidade para a chegada real. Mobília, tapetes, utensílios próprios de um quarto - como um urinol em bronze, serviços completos de almoço e chá da melhor porcelana inglesa -, tudo isso começou a ser providenciado para que suas majestades tivessem uma recepção à altura da coroa que carregavam. Datando do século XVIII, o palácio do governo precisou de reformas e adaptações para se tornar uma morada imperial. Tudo era necessário: desde a construção de novas alas até substituição de móveis, colocação de tapetes e uma repintura nas velhas paredes. As despesas se elevaram a mais de seis contos de réis. Chegou enfim o dia 24 de dezembro de 1859 e à uma hora da tarde a esquadra imperial passava em frente à Fortaleza de Santa Catarina, em Cabedelo, onde foi saudada com uma salva de canhões. Da fortaleza, dirigiu-se ao estuário do Rio Paraíba e de lá tomou o destino do antigo Porto do Varadouro. Embarcações nacionais e estrangeiras já atracadas colocaram-se em linha saudando com tiros de peças de artilharia a chegada do imperador. Exatamente às 16h30, desembarcaram do vapor APA dom Pedro II e dona Tereza Cristina, numa galeota ornamentada com finas flores. O imperador, envergando uniforme de general, foi recebido pelo presidente da Câmara de Vereadores e por mais de cinquenta senhoras. Segundo Maurílio de Almeida em seu Presença de Dom Pedro II na Paraíba, ali mesmo a mão de sua majestade foi beijada sob os mais frenéticos vivas e aclamações do povo. Talvez date desse tempo o costume tão popular de beijar mãos de poderosos, comum em nossa província. No dia seguinte, suas majestades dirigiram-se ao porto de Cabedelo onde ficavam as principais fortificações militares da época. Dom Pedro embarcou novamente no APA e tomou destino à cidade costeira acompanhado pelo governador, a quem fazia sucessivas indagações e tudo anotava numa caderneta de bolso. Essa foi uma das marcas do viajante Pedro que ele conservou até o fim da vida. Observador arguto, a tudo inquiria e perguntava. Em Cabedelo, visitou a Fortaleza de Santa Catarina e fez questão de ler as antigas inscrições de canhões holandeses remanescentes da invasão à nossa costa, demonstrando perfeito conhecimento da língua. Nesse momento, deu-se um fato pitoresco: um velho soldado aproximou-se do imperador furando o bloqueio ao seu redor e lhe pediu uma ajuda queixando-se que seu soldo de reformado era insuficiente. O imperador, atendendo ao pedido, mandou que lhe fosse dada uma régia esmola e ainda mandou que ele requeresse aumento do seu soldo de reformado. A história não registra em quanto orçou essa esmola, mas não deve ter sido assim tão régia, pois o próprio Imperador, para viajar à Paraíba, tomou dinheiro emprestado e destinou à sua esposa, para todos os gastos da viagem, a minguada importância de três mil e seiscentos contos de réis, pagos em seis prestações. Não existiam as facilidades para as viagens como hoje. Dom Pedro não limitou sua viagem à capital. Ele foi a cavalo, com grande comitiva de aduladores, até a cidade de Pilar que era importante centro açucareiro. Como a caminhada fosse longa, o imperador fez duas paradas: uma no Engenho São João, onde tomou o desjejum, e outra no Engenho Marau, de propriedade dos frades de São Bento, onde deveria almoçar. Ótimo cavaleiro, dom Pedro imprimiu tal ritmo à cavalgada que chegou a Pilar antes da hora e encontrou a Câmara Municipal fechada sem ninguém à sua espera. Todos faziam a toalete. De Pilar, dom Pedro foi a Mamanguape, de onde voltou numa só caminhada a João Pessoa. Finalmente, no dia 30 de dezembro, o vapor APA levou embora os imperadores e parte da alegria. Somente uma parte, pois a visita real deixou na Paraíba vários títulos nobiliárquicos: dois barões, seis comendadores, 21 oficiais e 36 cavaleiros da Rosa, além de 25 cavaleiros da Ordem de Cristo. Uma boa colheita.
Jornal da Paraíba de 09/11/2009
Até a década de 30 do século passado, era corrente o uso da palmatória e os castigos corporais nas escolas particulares e oficiais da Paraíba. A palmatória era uma haste de madeira, com cerca de 30 centímetros, com uma extremidade arredondada para aplicação dos “bolos” (termo aplicado na mão do aluno de forma corretiva pelo não aprendizado). Normalmente eram aplicados de seis a 12 em cada mão, as quais ficavam inchadas e com hematomas.
O ensino fundamental na classe média, era em escolas particulares na base da “decoreba” e cantadas em grupo para aprender as regras. Na maioria das escolas as professoras não eram diplomadas e muitas vezes os professores eram escolhidos mais pela rigidez disciplinar dos castigos do que pela forma didática e pedagógica. Aprendia-se mais pelo medo que pela motivação, no entanto somente cerca de 5% atingiam as universidades.
O prédio do Teatro Santa Roza foi construído na Mata Negro, terreno que pertencia aos frades do Mosteiro de São Bento. Era o local onde os criminosos morriam. Seu palco foi erguido exatamente onde ficava a forca dos indivíduos condenados à morte. Seu nome, cuja grafia tem gerado polêmica, é uma homenagem ao presidente da província, Francisco Luís da Gama Rosa (que assinava com s). O vocábulo ‘Santa’ foi incluído por pura influência religiosa, muito comum naquela época, que também tinha o hábito de trocar o s pelo z, nas palavras, por força do som e do arcaísmo que também grafou ‘theatro’ com ‘th’ no frontispício e nos documentos do Santa Roza.
Foi inaugurado em 03/11/1889, sendo o segundo de Estado (o primeiro foi o Teatro Minerva, da cidade de Areia).. O espetáculo inaugural, dedicado "à Imprensa e ao congresso escolástico", foi um concerto de música clássica, iniciado com um belíssimo trecho de Norma, de Bellini, interpretado ao violino pelo musicista Plácido Cézar. A primeira peça encenada foi o drama “O Jesuíta ou O Ladrão da Honra”, de autoria de Henrique Peixoto.
Um fato triste foi a tragédia que aconteceu no dia 12 de junho de 1900, abalando a capital: a morte do mágico sueco Jau Balabrega e do seu assistente, Lui Bartelle. Na ocasião, os artistas ensaiavam nuances luminosas para a famosa "Dança das Serpentinas", a ser apresentada na noite daquele fatídico dia. O projetor movido a querosene, em precário estado, explodiu então no colo de Balabrega, matando-o instantaneamente junto com seu assistente.
Está situada no município de Teixeira. Trata-se de uma formação rochosa situada às margens da estrada de acesso a Patos, que oferece uma visão perfeita da região ao seu redor, seu meio ambiente, relevo e vegetação. Ali existe uma gruta com uma imagem de Nossa Senhora, que serve de peregrinação e promessas. Um restaurante completa a atração do lugar. A vista que se tem no lugar é fantástica e proporciona uma visão ampla dos montes, serras, lagos e paisagens da redondeza. Distante aproximadamente 3 km. da cidade, faz parte da Reserva Ecológica criada em 1992. Segundo alguns, o nome Tendó é atribuído aos gritos desesperados dos escravos que ali eram açoitados pelos seus senhores. “Tem dó” seria o apelo que ecoava ao longe captado por moradores das proximidades, como pedido de clemência. Em registro vernacular, Tendó significa abrigo. O local de fato, era usado pelos tropeiros, servindo de pouso durante as viagens feitas pelos comerciantes que partiam das Espinharas em destino a Pernambuco.
Durante todo o ano, um grande número de devotos, curiosos e, principalmente, solteiros, vão até a Serra do Bodopitá, no município de Fagundes (100km de João Pessoa). Lá se encontra a Pedra de Santo Antonio, uma relíquia natural que, segundo as tradições, quem passar por debaixo dela, irá conseguir se casar ou no mínimo, arranjar uma união estável até o ano seguinte.
O ritual é um pouco complicado. Você tem que passar por debaixo do lajedo através de uma estreita fenda, arrastando o corpo no granito áspero. Quem já fez o sacrifício garante que vale a pena. O local ganhou fama de milagroso há mais de cem anos. Tudo começou após escravos encontrarem a estátua de Santo Antônio (santo casamenteiro) no alto da rocha e, ao levarem para a igreja, a imagem teria sumido e reaparecido misteriosamente no alto da rocha. Isso aconteceu 3 vezes seguidas e logo foi construída uma capela nas proximidades da pedra. Dai, para começarem as romarias não demorou muito.
A pedra de Santo Antônio tem 900 metros de altura e de lá, se tem uma excelente vista panorâmica. Mas se você não pretende deixar de ser solteiro, não precisa passar por esse sacrifício. Pode apenas aproveitar para fazer aventuras no lugar, pois, o cenário serrano é repleto de trilhas ecológicas, com matas preservadas e fontes de água doce. Solteiro ou casado vale a pena ir conhecer o lugar.
Esse fato ocorreu em 1955. Um grupo de boêmios fazia uma animada serenata numa noite em Campina Grande (PB). De repente, chegou a polícia, dispersando a turma e apreendendo o violão. Inconformados com a prisão do seu instrumento de alegria, o grupo procurou os serviços do Advogado Ronaldo Cunha Lima, que, além de poeta, também era grande apreciador de uma boa boemia. E ele peticionou em versos, seu pedido de liberação do violão:
“Exmº. Sr. Doutor Juiz de Direito da Segunda Vara da cidade:
O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revólver nem pistola
É simplesmente, doutor, um violão.
Um violão, doutor, que na verdade
Não matou nem feriu um cidadão.
Feriu, sim, a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.
O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade.
O crime e ele nunca se mistura.
Inexiste entre ambos afinidade.
O violão é próprio dos cantores
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam as mágoas que povoam a vida
E sufocam suas próprias dores.
O violão é música e é canção,
É sentimento, vida e alegria,
É pureza, é néctar que extasia,
É adorno espiritual do coração.
Seu viver, como o nosso, é transitório,
Mas, seu destino, não, se perpetua.
Ele nasceu foi para cantar na rua
E não para ser arquivo de cartório.
Mande soltá-lo pelo amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Pra que volte a sentir o terno açoite
De suas cordas leves e sonoras.
Libere o violão, Doutor Juiz,
Em nome da justiça e do direito.
É crime, porventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?
Será crime e, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado,
Derramando na praça as suas dores?
É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza de seu acolhimento.
Juntada desta aos autos nós pedimos,
E pedimos também Deferimento”.
O juiz era o Dr. Artur Moura, atualmente desembargador aposentado, que mostrando sensibilidade poética, deferiu sua sentença no mesmo tom:
“Para que eu não carregue
Remorso no coração,
Determino que se entregue
Ao seu dono, o violão”
Construído em 1586 pelos Jesuítas, a sede do Governo do Estado já se chamou Convento dos Jesuítas, Secção do Governo, Governo da Capitania, Casa de Governo(em 1817), Governo Provisório (no Império), Casa da Presidência, Governo da Presidência e, finalmente, em 1930, de Palácio da Redenção. Esse nome (Redenção), foi após a Revolução de 1930, quando o Interventor Antenor Navarro acatou a sugestão do cognome pela Professora de francês, poetisa e revolucionária Rita Miranda Henriques. O Decreto da mudança também impôs, de modo radical, nossas diretrizes políticas administrativas.
Um artigo muito curioso foi o que constou do Código de Posturas da Câmara Municipal de Patos, no ano de 1845, oficialmente aprovado pela Assembléia Provincial. Estabelecia o seguinte:
“Todo dono de casa habitada nas terras de agricultura apresentará anualmente, no mês de setembro, cem bicos de pássaros daninhos (tendo escravos) e cinqüenta (não os tendo). E nas terras de criar os donos de escravos apresentarão cinqüenta e os que não possuírem escravos, vinte e cinco, sendo isentas as pessoas que a autoridade competente julgar impossibilitadas.
O infrator pagará dois mil réis de multa.”
Em 1686, a Paraíba foi acometida de uma epidemia de enormes proporções. A mortandade foi considerável, devido em parte à falta de assistência médica e, em parte, ocasionada pelas condições de higiene da época.
Mas, segundo o prognóstico de um jesuíta versado em astrologia, o mal não tinha cura porque resultava de um castigo divino, anunciado através de um eclipse da lua, que tinha sido observado em diversos pontos do país. Em sua “História da América Portuguesa”, Rocha Pita assim escreve sobre o assunto:
“Apareceu esta grande luminosidade em uma noite do mês de dezembro do ano de mil seiscentos e oitenta e cinco, tão abrasada que inculcava ter recebido no seu côncavo ou na sua circunstância toda a região do fogo: esta capa de chamas cobriu a maior parte do seu vastíssimo corpo, tendo precedido alguns meses antes um eclipse do sol, em que este príncipe dos planetas mostrava uma névoa< à qual o padre Valentim Extancel, astrólogo célebre, chamava “Aranha do Sol”.
Esse astrólogo explicava que esses fenômenos, que não são naturais porque são produzidos pela interposição da terra, no curso daquelas sordicies ou qualidade contagiosa do ar, por razões manifestas ou causas ocultas e da SUS corrupção resultarem doenças, senão em todo mundo, em algumas partes dele, como se tem experimentado em contágios e desgraças de que há muitos exemplos antigos e modernos”.
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