Cultura Popular - Autor

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Obra


Divisória entre texto e formulario

Livro: Pra rira até chorar com a cultura popular

São mais de 300 páginas onde o autor mostra o melhor do lado humorístico contido em diversos ramos de nossa cultura popular, com destaque especial para a Cantoria. Aqui estão reunidos os versos mais lindos, engraçados e bem humorados de todos os tempos, escritos por grandes poetas e cordelistas nordestinos ou cantados em desafio pelos mais extraordinários violeiros, cantadores e repentistas dessa região.

O livro também ensina como são construídos mais de 50 gêneros de cantoria, com suas normas e maneiras diferentes de organizar os versos, explicando detalhadamente o tipo de rima, o número de versos, o número de sílaba e metrificação de cada modalidade. A obra contém, ainda, quase 800 adágios, ditados e ditos populares de todos os tempos.

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Minha intenção é mostrar o lado humorístico de diversos ramos de nossa poesia popular, com destaque especial para a Cantoria, que já foi muito popular no sertão nordestino. Mas, mesmo sem aquela valorização do passado, tem resistido ao tempo e ainda mantém sua importância como cultura que é. Da mesma forma, a Literatura de Cordel, as Emboladas, os ABC, os Poemas, as Canções, os Romances, as Gestas, etc. também já tiveram sua época de ouro.

Os temas abordados nessas manifestações artísticas são infinitos, mas os mais quentes e esperados são os ataques entre os seus participantes. São verdadeiras brigas poéticas. Aqui trataremos especificamente daqueles mais engraçados e bem humorados. Os cantadores também aproveitam as circunstâncias que ocorrem durante o evento para a introdução de gracejos e palavras “malcriadas”. Da mesma forma, as características dos adversários e seus defeitos são motivos para a “ridicularização”.

O humor está presente em todos os temas apresentados. Às vezes ele se manifesta de forma ingênua e engraçada e em outras vezes se apresenta de modo malcriado. O humor desses poetas populares está na forma de contar vantagem, xingar, zombar, sair de enrascadas preparadas pelos adversários e cantar coisas absurdas. Fazem isso, principalmente, para descontrair a platéia ou os leitores e fazê-los rir. Em todas as ocasiões, eles demonstram talento e habilidade que contagiam o seu público. São o gênio e a aptidão natural desses artistas que ainda despertam o interesse por essas expressões artísticas e as mantém vivas nos dias de hoje.

No livro estão reunidos os versos mais lindos, engraçados, alegres e bem humorados de todos os tempos, cantados ou escritos por alguns dos mais extraordinários poetas nordestinos, quase todos já publicados em outros livros ou gravadas em “CD” e, portanto, já do conhecimento público. Apenas relacionei alguns que julguei mais interessantes. São Quadras, Décimas, Sextilhas, Mourões, Martelos, ABC, Cordel, Emboladas e outras formas de poesia que veremos adiante. Elas despertaram palmas e arrancaram gargalhadas dos ouvintes e leitores. Para facilitar a leitura, elas estão agrupadas em 21 temas diferentes, cada qual agrupando poesias específicas daquele assunto.

Durante os trabalhos de pesquisas foram encontradas muitas controvérsias referentes a autoria de vários versos. Enquanto um escritor ou violeiro cita determinado repente como sendo de criação de fulano, outro afirma que é de cicrano. As vezes, um terceiro garante que é de beltrano. Também encontrei as mesmas poesias escritas com palavras ou frases diferentes umas das outras, sem contudo modificar o sentido da estrofe. Assim, peço desculpas antecipadas aos leitores, pelas possíveis falhas detectadas.

O autor.

  • Créditos do livro:
  • Autor: Marcos França
  • Foto e arte da capa: Thiala Medeiros
  • Ilustrações internas: Ícaro Mederios e Thiala Medeiros
  • Orelha: Jaquilane Medeiros
  • Diagramação: Igor Medeiros
  • Editora: Filipéia Editora
  • Ano de lançamento: 2006

  • Créditos do site:
  • Design e montagem: João Paulo Fechine Sette
  • Ilustrações: Ícaro Medeiros
  • Textos: Marcos França
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Veja aqui resgates de alguns desafios entre repentistas que você irá encontrar na obra PARA RIR ATÉ CHORAR ... COM A CULTURA POPULAR:

O poeta José Amâncio participava de uma animada Cantoria quando assim falou sobre o amigo Chico Felício, já com quase setenta anos, que ali estava presente para lhe prestigiar:

	Felício já namorou
	No seu tempo de rapaz. 
	Já amou, já foi amado, 
	Hoje é que não ama mais. 
	Tá qual ferro de engomar, 
	Solta fumaça é por trás!  

Um cantador, apesar de ler a Bíblia, parece não acreditar em tudo que está lá escrito:

	A Escritura Sagrada
	Eu acho um livro bonito, 
	Mas tem uma coisa nele
	Que eu morro e não acredito:
	Que é um jumento tirar
	De Belém para o Egito.  

Lourival Bandeira Lima duelava com o potiguar Domingos Tomaz, quando fez referência a sua origem racial:

	Minha mãe foi branca e bela, 
	E teve bom proceder! 

Domingos, notando em Lourival alguns traços que contradiziam o que ele acabava de dizer, lhe respondeu:

	Faz vergonha até dizer, 
	Que sua mãe foi branca e bela; 
	E este seu cabelo ruim, 
	Por que não puxou a ela? 
	Ou seu pai é muito preto, 
	Ou então, foi truque dela!

Pinto de Monteiro foi convidado para uma refeição numa propriedade do município de Monteiro, onde foi servido, entre outras coisas, queijo fabricado na própria fazenda. À noite, numa cantoria com Joaquim Vitorino, ficou sabendo de certas particularidades que aconteciam durante a fabricação do queijo que ele havia consumido tão prazerosamente. E ele assim externou sua decepção:

	Há vários dias que ando, 
	Com o satanás na corcunda:
	Pois, hoje, almocei na casa
	Duma negra tão imunda, 
	Que a prensa de espremer queijo
	Era as bochechas da bunda! 

Antonio Marinho cantava em São José do Egito (PE). Presente ao recinto estava um doutor conhecido por Edmundo, que pareceu não gostar de algumas brincadeiras ditas pelos cantadores. Mesmo assim, Marinho não se intimidou diante daquela culta figura:

	Parece que não gostou
	Nobre doutor Edmundo, 
	Que é o doutor mais feio 
	Que eu já vi neste mundo, 
	Que o fundo parece a cara
	E a cara parece o fundo.  

Lourival Batista cantava um Mourão com Manoel Xudu, quando uma pessoa da assistência depositou na bandeja uma quantia irrisória, só por gozação. Mas Lourival não gostou daquilo e iniciou decepcionado um Mourão:

	Ele só deu um cruzeiro
	Pra mim e Manoel Xudu! 

Xudu prosseguiu:

	Não tem nada companheiro, 
	Qualquer roupa serve ao nu. 

Mas Lourival discordou:

	Menos gravata e colete
	Porque não cobrem o cacete
	Nem a regada do cu. 

No Clube Português, em Recife, Pinto de Monteiro e Lourival Batista faziam uma saudação ao Cônsul de Portugal, um fidalgo de nome Felipe, que estava acompanhado de sua esposa, uma senhora de origem francesa, de nome Boucier. Foi quando Pinto veio com essa:

	Colega, vamos cantar, 
	Para um casal de Lisboa. 
	Felipe é o nome dele, 
	Boucier sua patroa. 
	Dela não sei o destino, 
	Mas o seu nome tira um fino
	Numa coisa muito boa.

Zé Limeira foi convidado para abrilhantar a festa de inauguração de uma fábrica de confecções. Presenteado com um novo uniforme, ele logo foi prová-lo. E quando lhe perguntaram como tinha ficado a nova peça de roupa, ele respondeu:

	Tem confecção bem feita
	A roupa que eu recebi. 
	No mesmo instante vesti
	E a calça ficou perfeita, 
	Porém um pouco estreita
	Pelas curtas dimensões, 
	Apertei os seus botões, 
	Ficou arrochada na coxa, 
	Acumulei a minha trouxa
	Mas sobrou os meus cunhões.  

Quando cantava em Porto Seguro (BA), um certo cantador, revoltado com as inúmeras notícias sobre roubos e corrupção divulgadas pela imprensa, tentou mostrar para o público que essa prática já era muito antiga. E cantou a sua versão de como tudo começou:

	Conta a história em Lisboa, 
	Que Pedro Álvares Cabral
	Gritou pra seus marinheiros
	Ao ver o Monte Pascoal: 
	“Agora já temos um canto
	Pra nós roubar, pessoal!”  

A sensualidade da mulata brasileira tem o poder de inspirar poetas apaixonados, como no caso da quadrinha a seguir:

	Ai, morena, pede a Deus
	O que eu peço a São Vicente: 
	Que junte nós dois, um dia, 
	Numa casinha sem gente! 

Um pobre aleijado que vivia a mendigar pelas ruas de Fortaleza e que atendia pelo nome de “Zé Menino”, também era metido a embolador. A ele é atribuída a autoria dos versos abaixo:

	Muié casada
	Que duvida do marido, 
	Leva mão no pé de ouvido
	Pra deixá de duvidar. 

O violeiro cearense João Siqueira cantava com o piauiense Domingos Martins da Fonseca. O tema abordado, numa determinada hora, era Mulher. Domingos fez uma série de elogios, mas Siqueira assim resumiu seus pensamentos:

	Mulher ao nascer é um anjo; 
	Sendo moça, um sol nascente, 
	Sendo noiva, uma esperança, 
	Sendo esposa, uma semente, 
	Sendo mãe, é uma fruteira, 
	Sendo sogra, é uma serpente!  

A autoria da estrofe abaixo é atribuída a um negro velho, conhecido apenas por Severino, que residia na cidade de Quixaba (CE):

	Tem quatro coisas no mundo
	Que atormentam um cristão: 
	Uma casa que goteja, 
	E um menino chorão, 
	Uma mulher ciumenta
	E um cavalo tanjão. 
	Mas o cavalo se troca, 
	A casa, a gente reteia, 
	O menino se acalanta, 
	Na mulher se mete a peia. 

Ao cantar com Severino Pelado, Ascendino Araújo desabafou suas mágoas, decepcionado com algumas mulheres com quem manteve certo relacionamento. Mas Pelado saiu em defesa da mulher:

	Não me fale de mulher, 
	Pois toda mulher é boa, 
	Seja honesta ou desonesta, 
	Mesmo sendo mulher à-toa:
	Se não serve pro marido, 
	Serve pra outra pessoa. 
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Cultura popular, como o próprio nome já diz, é a cultura do povo. É o resultado de uma interação contínua entre as pessoas pertencentes a determinadas regiões. Seu conteúdo é específico daquela localidade. Nasceu da adaptação do homem ao ambiente onde vive e abrange inúmeras áreas de conhecimento, aí incluídos suas crenças, artes, moral, leis, linguagem, idéias, hábitos, tradições, usos e costumes, etc. Esses conjuntos de práticas e tradições são expressados através de festas, mitos, lendas, crendices, costumes, danças, superstições e outras tantas formas de manifestações artísticas do povo desta região, como na alimentação, na linguagem, na religiosidade e na vestimenta por exemplos.

Uma das maneiras que nosso povo tem para mostrar a sua cultura e tradição é através do artesanato. Os artesões são pessoas que fazem sua arte usando apenas as mãos e/ou instrumentos simples. Eles sabem aproveitar coisas velhas e transformá-las em lindas obras. Para isso eles se utilizam de vidros, latas, madeira, papelão, barro, estopa, etc.

A criatividade desses artistas da terra está estampada em inúmeros trabalhos. Como exemplos podemos citar: bordados, rendas de bilros, cerâmicas, pinturas, esculturas, estandartes, cabeças de coco, artefatos de cipó-canela, labirinto, produção de redes e mantas, crochês, balaios e outros tipos de cestos, talhas, vestuário e batik (tecido de algodão, trabalhado com cera, parafina e tinta concentrada, caracterizado pela temática nordestina), jóias, confecção de barcos e outros tipos de transporte, objetos de couro, de madeira, de lata, de barro, de sisal, de estopa, de palha, de metal e de osso, etc.

O artesanato e o artesão são encontrados em todos os Estados Nordestinos. Eles estão nas feiras livres, nos museus, nas galerias, em casas comerciais, mercados de artesanato e oficinas artesanais.

Eles sabem aproveitar coisas velhas e transformá-las em lindas obras. Para isso eles se utilizam de vidros, latas, madeira, papelão, barro, estopa, etc.

A criatividade desses artistas da terra está estampada em inúmeros trabalhos. Como exemplos podemos citar: bordados, rendas de bilros, cerâmicas, pinturas, esculturas, estandartes, cabeças de coco, artefatos de cipó-canela, labirinto, produção de redes e mantas, crochês, balaios e outros tipos de cestos, talhas, vestuário e batik (tecido de algodão, trabalhado com cera, parafina e tinta concentrada, caracterizado pela temática nordestina), jóias, confecção de barcos e outros tipos de transporte, objetos de couro, de madeira, de lata, de barro, de sisal, de estopa, de palha, de metal e de osso, etc.

O vastíssimo folclore regional também é uma outra forma de expressão popular que retrata nossa alma e nossa cultura. Ele dispõe de vários ritmos, danças e uma mistura de cores impressionante, sendo um dos mais ricos e variados do Brasil. Essas danças e folguedos as vezes estão ligados às comemorações religiosas. Cada festa popular tem seu calendário e características próprias. E cada cidade encontra um modo alegre e festivo de comemorá-las. O Boi de reis, a nau catarineta, a lapinha, as festas juninas, as cantoria de violeiros, o coco-de-roda, a ciranda, a banda de pifes, a vaquejada, as quadrilhas, o pastoril, o serra-velho, o maracatu, o cavalo marinho, a literatura de cordel, o frevo e o joão redondo ou babau são exemplos dessas manifestações. Os gestos e xingamentos, apelidos, inscrições em caminhão, jogos infantis, brincadeiras, cantos, decoração, indumentária, usos e costumes, medicina popular (meisinha),
etc. , são outros elementos folclóricos que correspondem ao dia-a-dia da população.

O folclore é um tipo de cultura que é expressada através de festas, mitos, lendas, crendices, costumes, danças, superstições e outras tantas formas de manifestações artísticas de um povo. Nosso folclore surgiu do povo nativo (indígena), do europeu colonizador e do negro escravo. Dessa mistura nasceram histórias, personagens, danças, bem como podem ser percebidos na alimentação, na linguagem, religiosidade, vestimenta, etc. Muitas vezes são de origem de outras regiões, mas que, depois de aqui introduzidas, a população passou a se identificar com essas manifestações como sendo suas e a elas estão ligadas por razões históricas ou contato atual.

As feiras livres são organizadas e realizadas ao ar livre em logradouros previamente destinados para esse evento. Elas são chamadas de “Shopping Popular”, pois lá se pode comprar de tudo. Além dos produtos destinados à nossa alimentação como carnes, frutas, verduras, ovos, cereais, etc. também são encontrados:

  • - Artesanato caseiro e decorativo em madeira, couro, corda, palha,
  • metal, flandre, e estopa;
  • - Vestuário (calças, camisas, cuecas, calcinhas, bermudas, biquínis, indumentária típica como as de vaqueiro e tangerinos, por exemplo);
  • - Músicas dos cegos e cantadores de viola;
  • - Literatura de cordel, com suas fantasiosas sagas e acontecimentos da comunidade;
  • - Desafios de violeiros;
  • - Artigos de renda e bordados;
  • - Emboladores de coco;
  • - Repentistas;
  • - Barracas de comidas típicas de cada região, como: carne de bode guisada, carne de sol, cuscuz, macaxeira, tapioca, rapadura, etc., que são montadas nas vésperas e funcionam durante toda a noite que antecede a feira e durante a realização da mesma, no dia seguinte.
  • - Barracas de café, bolo, doces, cachaças, licores, batidas, vinhos e caipiroscas;
  • - Espetáculos circenses;
  • - Representantes de propaganda de remédios caseiros, raízes e cascas-de-pau, banhos de animais;
  • - Aparelhos elétricos (sons, CDs. Rádios, gravadores, aparelhos domésticos, etc.);
  • - Utensílios para viagem (malas, mochilas, etc.);
  • - Produtos de beleza (esmaltes, desodorantes, sabonetes, espelhos, alicates de unha, etc.);
  • - Material Escolar e de escritório (envelope, cadeiras, canetas, borrachas, cola, régua, cadernos, etc);
  • - Instrumentos de trabalho (fita elétrica, serrotes, martelos, pregos, chaves de fenda, alicates, etc.);
  • - Produtos culturais (CDs, fitas cassete, discos de vinil, xilogravuras, rtc);
  • - Ervas e garrafadas que prometem curar doenças;
  • - Imagens e retratos de santos de todos os tipos e para todas as necessidades (casar, pagar dívidas, etc.), onde não faltam as do “Padim Padre Ciço”.

Essa “harmoniosa confusão de sons, cheiros e cores” também representa direta ou indiretamente uma das expressões da cultura popular, pois nela também são expostos inúmeros trabalhos de nossos artistas anônimos, ligados à arte popular e ao folclore. É um verdadeiro mostruário da nossa cultura. A feira significa também festa, forró, fartura e farra. É o lugar de encontros com amigos e o resto da família.

A culinária também é uma forma de cultura. A nordestina descende da cozinha portuguesa e africana, além da influência indígena. Os índios comiam a carne de pequenos animais e aves que eles flechavam. O peixe era pescado em locais rasos. Eles também se alimentavam de tubérculos, raízes e farinha. A farinha de mandioca, por sinal, para o nordestino, ocupa o mesmo lugar que o pão e o trigo em outras culturas. Ela é completamente obrigatória em muitos alimentos, ora engrossando os molhos, ora complementando o sabor das comidas. Os portugueses trouxeram sua rica culinária e aproveitaram as novidades mais saborosas da comida indígena. Com a vinda dos negros africanos, que se utilizaram também dos produtos da terra, ficamos conhecendo sua gorda e variada culinária. Muitos pratos, quando não vieram da África, foram re-elaborados pelas mulheres escravas que trabalhavam em nossas cozinhas.

Atualmente temos comidas tradicionais que foram adaptadas aos recursos e ambientes locais, formando a variada culinária nordestina. São pratos de produtos do mar ou do sertão, que se aliam aos pratos tradicionais da várzea, da serra ou da mata. Tem de tudo para todos os gostos, do requintado ao simples. Eis alguns exemplos: Ensopado de caranguejo, Buchada, Mocotó, Rabada,Carne de Sol, Mungunzá, Arroz de Leite, Arroz Doce, Tapioca, Coalhada, Picado ou Sarapatel, Cuscuz, Rubacão, Arrumadinho, Macaxeira, Baião de Dois, Canjica, Pamonha, Rapadura, nossa tradicional cachaça, etc. Nossa grande variedade de fruta e açúcar também inspira receitas de doces, licores, vinhos e batidas (aguardente com frutas).

E assim, “Sempre que se cante a uma criança uma cantiga de ninar; sempre que se use uma canção, uma adivinha, uma parlenda, uma rima de contar, no quarto das crianças ou na escola; sempre que ditos, provérbios, fábulas, estórias bobas e contos populares sejam reapresentados; sempre que, por hábito ou inclinação, a gente se entregue a cantos e danças, a jogos antigos, a folguedos, para marcar a passagem do ano e as festas usuais; sempre que uma mãe ensina a filha a costurar, tricotar, fiar, tecer, bordar, fazer uma coberta, trançar um cinto, assar uma torta à moda antiga; sempre que um profissional ensina a seu aprendiz o uso de instrumentos (...) aí veremos aspectos culturais em seu próprio domínio, sempre em ação, vivo e mutável, sempre pronto a agarrar e assimilar novos elementos em seu caminho”.

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